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Entrevista com Patricia Dalpra no Estadão sobre a Carreira e Reputação de Neymar

Neymar, que pretendia terminar a Copa do Mundo como melhor jogador do mundo, foi embora da Rússia em baixa. O craque brasileiro acabou duramente criticado não só pelo futebol apresentado na eliminação do Brasil diante da Bélgica, mas principalmente pelo seu comportamento. As reações a cada falta sofrida foram consideradas falsas e exageradas. Neymar foi parar na capa de jornais de vários países e a repercussão negativa pode, inclusive, interferir a sua inserção no mercado publicitário. Essa é a avaliação de Patrícia Dalpra, especialista na área de branding e gestão de imagem, em entrevista ao Estado.

Neymar tem 99 milhões de seguidores no Instagram e 61 milhões de curtidas no Facebook. Mas Neymar dificilmente fala fora da mídia social. Na sua opinião, a identificação dele com o público é superficial?

A mídia digital (redes sociais) é um dos canais para estreitarmos nossa relação com a audiência. Entretanto, muitas pessoas esquecem que não existe uma separação entre a imagem nas redes sociais e a imagem física. Na minha opinião, não existe verdade em seus posts. Parece que tudo é feito estrategicamente por ele, ou pela pessoa que gerencia a sua imagem, para mostrar algo que os seguidores gostariam de ver. Entretanto, eu, como “sua audiência”, não percebo como algo genuíno, verdadeiro, espontâneo. Neste momento de “crise” as peças começam a se encaixar e a tomarem proporções que não são necessariamente verdadeiras. Sabemos que atualmente as redes sociais funcionam como uma ferramenta fundamental para a comunicação com a audiência da “marca” e é estratégica. Quando falamos de personal branding ou marca pessoal, tudo aquilo que compromete a verdade passa ser um ponto extremamente negativo para a pessoa pública e para a sua reputação. Este canal precisa ser utilizado para se comunicar com o seu público de forma genuína, só com autenticidade a interação com sua audiência será verdadeira e mais próxima. Não vejo uma proximidade do atleta com os seus fãs.

Na sua opinião, é possível restaurar sua reputação fora do campo?

Na verdade, não conseguimos separar a reputação. Ela acompanha a marca, a imagem ou a pessoa em todos os lugares em que ela estiver presente. Reputação é algo que demoramos para construir. É um trabalho contínuo e constante. Porém, para destruí-la basta uma ação equivocada para que todo um trabalho seja colocado em risco. Coincidentemente vim para a Croácia no dia em que o Brasil perdeu. Hoje me pego torcendo pelos croatas como se fosse o meu Brasil e, quando sabem que sou brasileira, falam de Neymar. E o que me chama a atenção são os comentários recorrentes que escuto sobre ele. “Neymar é fake”.  Acredito que ninguém esteja questionando as habilidades técnicas de Neymar, mas neste momento o comportamento do atleta vem sendo questionado. A reconstrução seguramente pode ser feita, porém precisa-se mais de ações do que de palavras. O seu comportamento deverá ser coerente com a imagem que ele quer mostrar para o mundo de uma maneira geral. A meu ver, é preciso trabalhar sua imagem partindo de elementos verdadeiros que façam parte de sua história, de seu DNA. Todos nós temos características positivas e negativas, é comum a todo ser humano. Entretanto, quando falamos de imagem e reputação, este trabalho precisa ser consistente e coerente. Esta comunicação da imagem precisa partir do seu branding e não do marketing. O branding trabalha com a verdade e o marketing encontra uma forma para se comunicar com seu público alvo sem se preocupar com a autenticidade. Algumas vezes podem se caracterizar como verdadeiras, presentes no DNA, mas outras vezes estas características são criadas. E não necessariamente partem da verdade. Como expliquei anteriormente, a reputação é algo que é construído dia após dia. Quando trabalhamos com a verdade é muito mais fácil manter a coerência. Se no lugar da verdade nos basearmos em algo que não é real, em algum momento a consistência e a coerência vão por água abaixo.

Veja a entrevista completa aqui.

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Uso de imagem de esportista: quais os cuidados que devem ser tomados?

Fotografar atletas pode ser bem produtivo desde que sejam respeitadas algumas regras. Isso porque o uso de imagem de esportista implica leis e cuidados que devem ser tomados tanto pelo fotógrafo profissional quanto pelo retratado nas fotografias — seja atleta, seja técnico (personal branding).

Para que o fotógrafo possa usufruir da sua profissão, apresentamos, a seguir, algumas dicas importantes na hora de utilizar as fotos que produzir. Acompanhe!

O que é licença de uso de imagem de esportista?

Primeiramente, para que seja possível usar as imagens, é necessário obter uma licença e a autorização do fotografado. Esse tipo de contrato assegura o uso dos retratos e protege não apenas o fotógrafo, mas os direitos do esportista.

O objetivo principal é usar a lei para garantir que o trabalho possa ser feito dentro do regime imposto, garantindo o bem-estar do atleta e a proteção das imagens.

A licença é um direito personalíssimo e independente, que se torna um bem jurídico para oferecer segurança aos envolvidos. Com isso, esse documento permite que o profissional utilize as fotos sem que haja problemas futuros, como ações judiciais.

Quais cuidados devem ser tomados pelo esportista?

Os atletas precisam ter certos cuidados ao ceder o direito de imagem a um fotógrafo, pois, em alguns casos, podem ocorrer problemas na veiculação das fotos. Assim, o esportista que será fotografado deve ficar atento sobre a capacidade e o profissionalismo do profissional que vai fotografá-lo.

Além disso, é importante avaliar a qualidade e a reputação da empresa que será vinculada à imagem do atleta. É importante que ela seja uma companhia séria que não incentive ações negativas, como é o caso de organizações que incitam o uso de produtos tóxicos.

É necessário ter um contrato de direito de imagem para que as fotos possam ser publicadas. E, para que tudo corra como esperado, é importante que o atleta ou sua equipe faça uma avaliação detalhada de tudo o que é abordado no documento para garantir legitimidade.

Depois disso, quando há a divulgação da imagem, é fundamental verificar se o contrato foi cumprido para que não haja desvio no uso das fotos. Isso porque alguns fotógrafos utilizam a imagem em campanhas que não foram autorizadas pelo atleta, o que pode causar constrangimento e até problemas profissionais.

O trabalho feito entre o fotógrafo e o atleta deve ser respeitado. Por isso, o esportista deve ficar atento se as imagens não são utilizadas para difamá-lo ou em propagandas que não foram autorizadas.

Qual a diferença entre licença de uso de imagem e contrato de trabalho?

A licença de uso de imagem de um atleta é feita em contrato, que deve ser o mais detalhado possível. Nele, são definidas como as imagens podem ser associadas a uma determinada marca ou empresa. Dessa forma, tanto o fotógrafo quanto o esportista se asseguram, com base nos direitos e deveres estabelecidos no documento.

Já o contrato de trabalho é usado quando o atleta tem vínculo empregatício com uma equipe. Um jogador de futebol, por exemplo, assina um contrato de trabalho para representar um time. Assim, ele tem de cumprir obrigações trabalhistas e tem direitos regidos por lei.

A melhor forma de promover um acordo de trabalho, seja para a utilização de imagem, seja para uma contratação de trabalho, é gerenciar a vida do atleta. No entanto, isso pode não ser uma tarefa fácil.

Por isso, é essencial contratar um gestor de carreira que possa indicar o caminho que vai garantir o bem-estar do esportista. O uso de imagem de esportista pode implicar diversas regras, mas com os conselhos de um gestor, é possível fazer um trabalho de qualidade, sem que haja prejuízos.

Que tal conhecer mais dicas de como construir uma carreira no esporte? Saiba mais no e-book “Planejamento de Carreira para Esportista“.