Storytelling e Marca Pessoal: quando a narrativa vira presença

O universo da marca pessoal sempre esteve ligado a como cada profissional escolhe se apresentar ao mundo.
Mas, nos últimos anos, com o excesso de informação e a pressa do digital, ficou ainda mais claro que não basta aparecer.
É preciso fazer sentido.

E o sentido não se produz no volume: ele se constrói na narrativa.

É curioso observar isso na prática. Em mentorias e processos da PD Imagem e Carreira, vejo pessoas brilhantes, com trajetórias impressionantes, mas que não sabem traduzir essa história em palavras, em presença, em mensagem.
Tem identidade, mas não narrativa.
Tem currículo, mas não enredo.
Tem experiência, mas não interpretação.

E é aí que o storytelling entra.
Não como técnica — mas como consciência.

Uma história bem contada não é um roteiro pronto.
É uma costura: das vivências, das marcas, dos valores, do que você não abre mão.
É a forma como você dá sentido ao que veio antes, ao que está vivendo agora e ao que escolhe construir daqui pra frente.

E, quando isso acontece, a marca pessoal deixa de ser sobre você — e passa a ser sobre como você impacta quem te lê, te vê ou te escuta.

As marcas que entendem isso fazem isso com naturalidade.
A Nike, por exemplo, fala de coragem, não de produto.
Transforma atletas em símbolos, não em campanhas.
A Gillette, quando decidiu contar a história de Shaquem Griffin, mostrou algo que sempre repito nos meus projetos: vulnerabilidade é força quando encontra contexto.

Mas não são só as gigantes que fazem isso bem.
Algumas marcas novas, jovens, contemporâneas, já nasceram com storytelling no DNA — Sallve, por exemplo, que transformou cuidado em comunidade; Future Farm, que fala do futuro da alimentação com irreverência e propósito; Zerezes, que traduz simplicidade e brasilidade em cada detalhe da marca; Dr. Consulta, que colocou dignidade no centro da narrativa de saúde acessível.

Nenhuma dessas marcas está “performando storytelling”.
Elas estão comunicando quem realmente são — e fazendo isso com naturalidade.

No trabalho individual, isso se traduz em algo ainda mais íntimo.
Porque a marca pessoal não nasce do palco — nasce do bastidor.
Ela nasce da história que você conta para você mesma antes de contar para o mundo.
E é isso que sustenta reputação.

Eu vejo isso diariamente.

Profissionais que passaram a vida inteira construindo credibilidade, mas que nunca pararam para olhar para a própria narrativa.
Executivos que tomam decisões enormes, mas que não conseguem organizar as próprias camadas internas.
Pessoas brilhantes que se escondem atrás de cargos, porque nunca souberam transformar trajetória em mensagem.

E quando finalmente transformam?
Tudo muda.

A presença fica mais leve.
A comunicação se alinha.
A reputação ganha profundidade.
E o digital deixa de ser palco — vira extensão.

A pergunta nunca é “o que eu posto?”.
A pergunta é:
“o que a minha história sustenta?”

Storytelling é isso.
É sobre presença, não sobre performance.
É sobre coerência, não sobre números.
É sobre aquilo que você representa quando as pessoas encontram a sua história — e sentem algo.

E é exatamente essa sensação que constrói reputação.
A narrativa certa não domina o algoritmo: ela domina a memória.

Porque, no fim das contas, toda marca pessoal forte nasce quando a história deixa de ser sobre você — e passa a ser sobre o efeito que você causa no outro.

E isso, sim, é legado.

Patricia Dalpra é Estrategista em personal branding e gerenciamento de carreira.

O trabalho que Patricia Dalpra desenvolve surgiu de uma vontade e de uma certeza: vontade de levar pessoas e empresas a crescer, alcançar seus objetivos de negócios e de imagem e se relacionar melhor com outras pessoas e empresas; e certeza de que um trabalho estruturado de gestão de imagem e carreira é um dos melhores caminhos para se chegar lá. Ao longo de mais de uma década, a Patricia Dalpra já trabalhou para centenas de profissionais, executivos, empresários, atletas, instituições e empresas.

Specialties: Gestão de imagem, gestão de carreira e coaching. Personal branding, branding executivo, brand on, brand off, estudo do dna pessoal e corporativo e comunicação.