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Coluna Patrícia Dalpra | A importância da reputação na gestão da carreira

Quem você é? Quais são os seus valores, habilidades, talentos e experiências? Você já parou para pensar sobre isso? E mais importante: você passa a verdadeira imagem de todas essas características para as pessoas que convivem e trabalham diretamente com você? 

Sua reputação consiste exatamente nisso. Ela é criada e alterada pelo que você faz e pelo que todo o mundo, inclusive você, dizem sobre a sua pessoa. Infelizmente, a reputação nem sempre é 100% baseada em fatos concretos, mas sim em percepções, opiniões, conjecturas e rumores. A reputação é algo construído no dia a dia, baseado em suas ações e em como as pessoas que convivem com você interpretam essas ações. Por isso, a criação e gestão da reputação é um processo contínuo e constante, que necessita de um esforço ativo e cuidadoso de sua parte. 

É necessário que fique claro que uma boa reputação, especialmente no ambiente profissional, gera respeito e confiança da parte de seus colegas e superiores, e até mesmo por parte de algum concorrente, caso você seja dono de um negócio. Empresas comprometidas e sérias costumam levar em consideração a reputação de candidatos a cargos relevantes, já que isso reflete diretamente na imagem do negócio. Colaboradores com boa reputação ajudam a solidificar a imagem do empreendimento como sendo bom e de confiança também. 

Em linhas gerais, uma excelente marca pessoal se constrói ancorada em três pilares principais: o seu tempo de carreira, experiência profissional e o que você já conquistou profissionalmente falando; o quanto você investe em si mesmo, em sua formação e sua constante atualização; e em sua imagem, comportamento, trato com as pessoas e jogo de cintura. É necessário saber balancear esses três pilares da melhor maneira possível, com o objetivo de criar uma reputação sólida e confiável. 

E para alcançar esse objetivo, é essencial que haja sempre um esforço contínuo de sua parte em criar, manter e recuperar sua reputação. E esse processo é realizado através de uma profunda compreensão dos mecanismos que influenciam a criação e a manutenção de sua imagem. Trocando em miúdos, a gestão da reputação é essencial na hora de consolidar sua marca pessoal. 

A gestão da reputação nada mais é do que gerir de maneira eficiente a sua imagem percebida pelos demais, através da garantia da coerência entre o que você deseja passar e seu comportamento real. Além disso, gerir de maneira adequada a sua imagem passa também pela identificação de fatores-chave positivos que influenciam diretamente a construção e manutenção da reputação. 

A gestão da reputação é especialmente importante em momentos de crise de imagem. Com a velocidade atual com que acontecimentos e notícias se espalham, é imprescindível agir com rapidez para estancar a crise antes que ela tome grandes proporções e traga prejuízos permanentes. 

Nesses casos, a primeira atitude a ser tomada é reunir tudo que está sendo dito sobre o caso, e saber de onde essas informações estão saindo. A partir disso, traçar as melhores estratégias de contenção da crise e agir! Não negar a existência da situação desfavorável e focar sempre em agir com transparência e coerência. Lidando com a situação de maneira acertada e ética, quase 100% das crises de imagem podem ser contornadas. 

Gerir de maneira eficiente sua reputação na era da informação e hiperconectividade a qual vivemos atualmente não é tarefa das mais fáceis. Isso porque até mesmo o conceito de “boa reputação” pode mudar de maneira rápida, e depende de qual empresa ou setor do mercado você está enquadrado. 

As necessidades e exigências do mercado de trabalho estão cada vez mais altas e pode ser difícil enquadrar-se corretamente nesse cenário. As empresas estão, a cada dia mais, buscando profissionais que passem e, mais do que isso, consolidem, a imagem que a companhia gostaria de transparecer ao público consumidor, clientes, fornecedores e concorrência. Justamente por isso, há uma maior intolerância, por parte das empresas, a erros e expectativas não atingidas. 

Sua reputação é como uma “sombra” de você mesmo, projetada. Ela corresponde à realidade, a quem você é, ou há uma diferença entre o que as pessoas veem e sua verdadeira essência? Essa é uma questão muito importante quando se fala de gestão da reputação. Em alguns casos, a imagem pessoal de uma pessoa demonstra uma coisa, mas, na prática, o cenário se mostra muito distinto do que era esperado. Esse “gap” pode afetar negativamente sua imagem profissional e o seu posicionamento no mercado. 

Confira a matéria completa aqui.

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Caso da youtuber Rawvana e a responsabilidade dos influencers

Com a exposição gerada pelas redes sociais, as polêmicas nunca acabam e recentemente apareceu mais uma: o caso da influencer Rawvana.

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Você sabe quem é a youtuber e influencer Rawvana?

Se você é havy user de redes sociais e tem um lifestyle saudável é capaz de já ter passado por algum vídeo dela. Yovana Mendoza Ayres, mais conhecida como Rawvana, é uma youtuber e influencer de San Diego – Califórnia (EUA), que contava com mais de três milhões de seguidores (YouTube e Instagram) e se tornou ídola de crudiveganos ao compartilhar, desde 2013, vídeos em inglês e em espanhol mostrando seu estilo de vida e sua alimentação sem produtos de origem animal e à base de alimentos crus.

Até esse ponto, tudo parece perfeito. No entanto, Rawvana se envolveu em uma polêmica que custou a sua imagem, a perda de milhares de fãs e também de patrocinadores que financiavam o conteúdo produzido por ela.

Durante uma viagem a Bali, sua amiga publicou um vídeo no Instagram onde aparece Rawvana prestes a comer um peixe e esses poucos segundos destruíram anos de reputação. Se pensarmos que ela construiu sua imagem através de um estilo de vida crudivegano que ela prega e dizia praticar, ela aparecer em um vídeo comendo um peixe é algo bastante contraditório, não é mesmo? E foi exatamente essa contradição que foi criticada. Ela, então, foi chamada de fraudulenta, com direito a petição para tirar seu canal do ar.

Ela explicou que estava com sérios problemas de saúde e, por isso, foi obrigada a incluir alimentos cozidos na sua dieta. No entanto, já era tarde demais porque, além de ser algo contraditório com seu estilo de vida, ela não contou isso para seus seguidores. Foi mais um “flagra” das redes sociais.

Já sabemos que para uma marca se tornar top of mind, ela precisa de transparência, autenticidade, consistência de imagem, relevância em meio ao seu público e ter uma história por trás de seu sucesso. No caso Rawvana faltou transparência e consistência de imagem, o que foi determinante para o seu fracasso.

Agora, por que isso é tão grave?

Vamos entender que um youtuber é uma marca pessoal que tem grande influência sobre milhares de pessoas e, no caso de Rawvana, ela era uma marca pessoal de grande sucesso. Se analisamos os dados da pesquisa realizada pelo Youtube no Brasil em parceria com a Provokers em 2018, “o consumo de vídeo online no Brasil teve alta de 135% nos últimos quatro anos”. Além disso, o “YouTube atingiu a marca de mais de 800 canais no Brasil que ultrapassam a base de um milhão de inscritos”. Ou seja, um canal de youtube de grande sucesso exerce influência sobre milhares de pessoas e isso, de certa forma, é delicado e um pouco perigoso.

Rawvana não é médica e nem especialista em saúde ou nutrição, ela é uma produtora de conteúdo que compartilhava seu lifestyle e suas receitas. Ela ficou doente devido à falta de um especialista para avaliar a dieta que ela mesma compartilhava. Quantas outras pessoas também não devem ter perdido qualidade de saúde depois de seguir a dieta da youtuber?

De acordo com um levantamento do órgão de pesquisa americano Pew Research Center feito com jovens com idade entre 13 a 17 anos nos Estados Unidos, o YouTube “se destacou como líder de acessos, sendo a preferência de 85% dos jovens”. Quantos jovens ela não deve ter influenciado? Precisamos pensar que nesta fase da vida os jovens estão passando por questões hormonais que modificam seus corpos e alguns estão sofrendo bullying nas escolas devido a sua aparência física. E muitos estão construindo seus valores, o que os deixam mais abertos a opiniões e, por isso, são mais influenciáveis. Veja quanta responsabilidade tem um youtuber.

Eu li uma frase muito interessante no artigo “YouTube, o grande radicalizador”, que saiu no The New York Times, que dizia que nós estamos “testemunhando a exploração computacional de um desejo humano natural: o de olhar “por trás da cortina”, ir a fundo em algo que nos interessa”. É exatamente isso. Quando passamos de meramente consumidores para criadores de conteúdo, passamos a estar cada vez mais expostos a informação. E essa informação nem sempre é segura, ela beira o limite do real/falso, aparentemente saudável/fraudulento, moderado/radical, etc. As Fake News são um grande exemplo disso.

Nós presenciamos a vitória de Donald Trump para presidência nos EUA e a de Bolsonaro no Brasil, e ambas vitórias tiveram grande influência das Fake News de ambos os lados: direita e esquerda. Fora isso, tem a questão das opiniões que se disseminam e podem causar grande efeito negativo na vida de milhares de pessoas. Um exemplo disso é o caso da youtuber que compartilha ideias antifeministas, o que causa grande indignação em muitas pessoas, mas acaba lucrando com esses “views” e influenciando outras jovens mulheres a pensar igual. Ou então o caso do youtuber Júlio Cocielo que fez “piada” racista em relação ao jogador francês Kylian Mbappé no Twitter. Cocielo tem um canal visto por milhares de jovens que o idolatram por seus vídeos engraçados e são influenciados por ele, tanto que o youtuber contava com vários patrocinadores antes da polêmica. Aceitar uma “piada” racista é aceitar o racismo porque a verdade é que todos os dias milhares de jovens e adultos sofrem racismo disfarçado em forma de “piada”.

Se pensamos em youtubers/influencers e seus patrocínios, de acordo com uma pesquisa feita pelo Instituto QualiBest, os influenciadores são “a segunda fonte de informações para a tomada de decisão na compra de um produto, citada por 49% dos respondentes, perdendo apenas para amigos e parentes, citados por 57% dos respondentes”. Ou seja, é muita responsabilidade para uma pessoa só!

Então, para concluir, é preciso pensar na influência que nós temos sobre as pessoas. Tanto você quanto eu somos uma marca pessoal e precisamos ter consistência de imagem e transparência para construir uma marca de credibilidade e boa reputação. E, acima de tudo, devemos ser responsáveis pelos conteúdos que criamos.

Texto de Camille Reis.

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Entrevista com Patricia Dalpra no Estadão sobre a Carreira e Reputação de Neymar

Neymar, que pretendia terminar a Copa do Mundo como melhor jogador do mundo, foi embora da Rússia em baixa. O craque brasileiro acabou duramente criticado não só pelo futebol apresentado na eliminação do Brasil diante da Bélgica, mas principalmente pelo seu comportamento. As reações a cada falta sofrida foram consideradas falsas e exageradas. Neymar foi parar na capa de jornais de vários países e a repercussão negativa pode, inclusive, interferir a sua inserção no mercado publicitário. Essa é a avaliação de Patrícia Dalpra, especialista na área de branding e gestão de imagem, em entrevista ao Estado.

Neymar tem 99 milhões de seguidores no Instagram e 61 milhões de curtidas no Facebook. Mas Neymar dificilmente fala fora da mídia social. Na sua opinião, a identificação dele com o público é superficial?

A mídia digital (redes sociais) é um dos canais para estreitarmos nossa relação com a audiência. Entretanto, muitas pessoas esquecem que não existe uma separação entre a imagem nas redes sociais e a imagem física. Na minha opinião, não existe verdade em seus posts. Parece que tudo é feito estrategicamente por ele, ou pela pessoa que gerencia a sua imagem, para mostrar algo que os seguidores gostariam de ver. Entretanto, eu, como “sua audiência”, não percebo como algo genuíno, verdadeiro, espontâneo. Neste momento de “crise” as peças começam a se encaixar e a tomarem proporções que não são necessariamente verdadeiras. Sabemos que atualmente as redes sociais funcionam como uma ferramenta fundamental para a comunicação com a audiência da “marca” e é estratégica. Quando falamos de personal branding ou marca pessoal, tudo aquilo que compromete a verdade passa ser um ponto extremamente negativo para a pessoa pública e para a sua reputação. Este canal precisa ser utilizado para se comunicar com o seu público de forma genuína, só com autenticidade a interação com sua audiência será verdadeira e mais próxima. Não vejo uma proximidade do atleta com os seus fãs.

Na sua opinião, é possível restaurar sua reputação fora do campo?

Na verdade, não conseguimos separar a reputação. Ela acompanha a marca, a imagem ou a pessoa em todos os lugares em que ela estiver presente. Reputação é algo que demoramos para construir. É um trabalho contínuo e constante. Porém, para destruí-la basta uma ação equivocada para que todo um trabalho seja colocado em risco. Coincidentemente vim para a Croácia no dia em que o Brasil perdeu. Hoje me pego torcendo pelos croatas como se fosse o meu Brasil e, quando sabem que sou brasileira, falam de Neymar. E o que me chama a atenção são os comentários recorrentes que escuto sobre ele. “Neymar é fake”.  Acredito que ninguém esteja questionando as habilidades técnicas de Neymar, mas neste momento o comportamento do atleta vem sendo questionado. A reconstrução seguramente pode ser feita, porém precisa-se mais de ações do que de palavras. O seu comportamento deverá ser coerente com a imagem que ele quer mostrar para o mundo de uma maneira geral. A meu ver, é preciso trabalhar sua imagem partindo de elementos verdadeiros que façam parte de sua história, de seu DNA. Todos nós temos características positivas e negativas, é comum a todo ser humano. Entretanto, quando falamos de imagem e reputação, este trabalho precisa ser consistente e coerente. Esta comunicação da imagem precisa partir do seu branding e não do marketing. O branding trabalha com a verdade e o marketing encontra uma forma para se comunicar com seu público alvo sem se preocupar com a autenticidade. Algumas vezes podem se caracterizar como verdadeiras, presentes no DNA, mas outras vezes estas características são criadas. E não necessariamente partem da verdade. Como expliquei anteriormente, a reputação é algo que é construído dia após dia. Quando trabalhamos com a verdade é muito mais fácil manter a coerência. Se no lugar da verdade nos basearmos em algo que não é real, em algum momento a consistência e a coerência vão por água abaixo.

Veja a entrevista completa aqui.