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Ele não, mas e ela? Caso Anitta e a eleição 2018

“Diga quem você é, me diga
(…)
Tira a máscara que cobre o seu rosto
Se mostre e eu descubro se eu gosto
Do seu verdadeiro jeito de ser”

Quando falamos de marca, falamos exatamente disso: transparência.

Qual é a sua essência? Que valores defende? O público quer saber.

Em outro artigo que escrevi sobre a Anitta, também comentei sobre isso. Vamos relembrar alguns dados?

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Cada dia mais as discussões sobre inclusão e direitos está maior. A desigualdade de gênero no ambiente profissional, por exemplo, é algo que está sendo altamente debatido pelas mídias e pelo mercado. Cada dia mais as marcas são obrigadas a reconhecer e enxergar de fato as minorias. Uma marca que ignora e escolhe se manter calada sobre as minorias está suscetível a críticas e a boicote. As marcas sempre tiveram medo de se posicionar, mas hoje elas também têm medo de se manter em silêncio (e devem mesmo).

A verdade é que ninguém mais quer ser representado por uma marca que não olha de verdade para o seu público. Então se a marca prefere se manter calada por medo de perder vendas, isso pode gerar um feedback negativo enorme. Algumas marcas resolvem fazer uma inclusão artificial das minorias na tentativa de se comunicar com elas, só para dizer que não as ignorou ou que se posicionou, o que se torna um tiro no próprio pé.

Como diz a pesquisa da TrendWatching, as pessoas hoje buscam marcas que sejam transparentes para manterem um “relacionamento” verdadeiro. Digo isso porque ninguém quer conversar com uma marca que só interessa pelo seu público na hora de vender algo. Queremos que ela nos conheça, nos enxergue, nos represente e esteja conosco nas horas boas e ruins.

Mas por que estou dizendo isto tudo? Porque Anitta é uma marca.

Ela vende um produto que são as suas músicas e vende um serviço que é o entretenimento. E recentemente teve uma grande polêmica envolvendo sua imagem. Grande parte do seu público começou a cobrar um posicionamento dela, questionando seu papel social como figura pública, acerca do candidato Bolsonaro após ela seguir um perfil de uma amiga que abertamente declara seu apoio ao candidato. Ela, no entanto, diz que tem o direito de não se manifestar sobre política e que não gostaria de ter sua imagem atrelada às eleições.

A grande questão é: ela deveria ou não se posicionar?

Veja bem, a questão vai muito além do fato dela ter seguido um perfil que declara apoio ao candidato ou sobre seu direito ao voto secreto.

No trabalho de gestão de imagem e carreira, temos que lidar com muitas situações diferentes. Nós sabemos que em situações de crise de imagem, é necessário que se tome uma posição. Às vezes, se tem que escolher entre dar uma resposta ao público ou manter-se calado. Mas tudo tem um preço e você está suscetível a críticas nos dois casos. No entanto, uma escolha errada pode custar uma carreira. De verdade.

Aqui Anitta escolheu não se posicionar nem contra e nem a favor do candidato, dando apenas uma declaração rasa sobre o assunto. No entanto, além do candidato em questão ir contra tudo que a cantora já defendeu publicamente, ele já deu muitas declarações homofóbicas e o público LGBT+ é o que mais iria sofrer consequências ruins se ele for eleito.

O público LGBT+ é o que mais gera lucro para a música pop, é o que chamamos de Pink Money. Além disso, grande parte do público da Anitta é LGBT+. A cantora, inclusive, já foi coroada rainha na Parada LGBT+. Ela já declarou publicamente apoio à comunidade e em seus stories (um dos mais vistos no mundo) sempre grita “um beijo para as POCS” (gíria LGBT+). Anitta, portanto, tem um relacionamento de longa data com este público.

O grande questionamento do seu público é: não queremos ser representados por artistas que estão conosco apenas quando a situação é favorável. Então, Anitta, você está conosco nesta luta? O país está passando por um momento muito difícil e a comunidade LGBT+ pode perder seus direitos se este candidato for eleito. Esta luta por direitos já causou a morte de muita gente e pessoas são hostilizadas todos os dias por causa da homofobia. Se a cantora se diz feminista, a favor das minorias, contra desigualdade em todos os níveis e uma defensora dos direitos LGBT+, é óbvio que ela não poderia votar em um candidato que vai contra tudo isto que ela defende. Então, qual é o problema de Anitta ser uma representante destes direitos se ela sempre fez isso durante a sua carreira? Agora que a situação está desfavorável ela não quer se posicionar? Isto é o que está sendo questionado.

Como marca ela não pode representar artificialmente, entende? Se ela sobe ao palco e grita junto com o seu público LGBT+ palavras de luta a favor de seus direitos em um momento feliz, também deve defender esses direitos em momentos desfavoráveis. O efeito desse silêncio é muito pior, especialmente para um artista.

A questão não é se ela é direita ou esquerda, vai além da política. Estamos falando de valores e toda marca tem “missão, visão e valores”. A questão aqui é dizer “eu, como pessoa defensora das diferenças, vou contra os valores que esse candidato prega, então #elenão”. Mas falar isso abertamente e não nas entrelinhas. A conversa tem que ser direta e transparente. É isso que o público pede das marcas hoje em dia. Transparência é tudo e a cantora Anitta sempre foi citada como tendo um de seus pontos fortes a transparência.

Uma pessoa que sempre se posicionou, não pode abrir mão do seu papel social quando a situação aperta. Não estamos falando aqui de uma partida de futebol em que às vezes o jogador é hostilizado pelo seu desempenho na partida e, às vezes, é melhor ficar quieto para a poeira abaixar. Estamos falando de valores, transparência, relação direta com o público.

Então, só para finalizar. É importante sim se posicionar. Não digo sobre política, mas sobre quais valores você defende. E deixar claro para o seu público se você está com ele até o fim ou não. Porque se for uma relação artificial… aí sinto te dizer que esse amor é tipo aquele amor de verão, ele passa e mesmo que voltem a se encontrar, a relação não será mais a mesma.

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Neymar, uma história que não tocou o coração

Vinte e três dias. Este foi o tempo gasto por Neymar para se manifestar publicamente sobre a crise que se abateu sobre a sua imagem desde a questionável performance que o craque da Seleção Brasileira apresentou no Mundial da Rússia. No último domingo, o atacante voltou a ficar sob os holofotes ao se desculpar oficialmente através de um comercial da Gillette em horário nobre na TV Globo. Do ponto de vista da Gillette, não há dúvidas de que a campanha foi muito positiva para a marca, pois todos nós estamos vendo e comentando o comercial. Mas para Neymar, que foi o alvo da iniciativa, ela foi realmente positiva?

O fato é que, desde o vídeo feito pelo jogador, alguns dias depois da última participação da Seleção na Copa do Mundo, em ele aparecia ao lado de algumas crianças e brincava com a situação, Neymar demonstrava não se incomodar com as críticas que vinha recebendo e foi muito criticado pela atitude.  Acredito que todos nós, e não apenas eu que trabalho com Gestão de Imagem e Carreira, estávamos curiosos para saber qual seria sua primeira ação efetiva para trabalhar sua imagem.

Na campanha feita pela Gillette, a marca foi muito competente na ferramenta escolhida para fazer o “comunicado”. O storytelling, recurso usado pelo marketing da empresa, é uma forma muito inteligente e eficiente para trabalhar uma marca. Uma das bases do storytelling é criar emoção partindo da verdade.  Nós, seres humanos, estamos acostumados a contar e a escutar histórias há centenas de anos. Gostamos de ouvir histórias porque em algum momento da narrativa nos conectamos com algo que está sendo contado, e somos tocados no coração.

Neste caso, no entanto, apesar de uma ferramenta adequada para o comunicado, infelizmente não foi o que aconteceu com a história de Neymar.  Ela precisava ser potente, principalmente quando falamos de marca pessoal, e transmitir, para quem estivesse assistindo, uma história verdadeira.  Caso contrário, não emociona e acaba perdendo sua maior função. Toda a história possui um herói e neste caso o herói é Neymar. Mas por que será que não conseguimos nos conectar com ela?

Tenho a minha interpretação sobre o fato. Toda trajetória possui momentos difíceis, erros, quedas, frustações, sonhos interrompidos. E quando isto acontece nós sofremos, choramos e ficamos estirados no chão.  Toda história é feita de perrengues.  Heróis que reconhecem seus erros porque somos humanamente imperfeitos.  No caso da história de Neymar, contada pela Gillette, o jogador em nenhum momento demonstrou sofrimento, tristeza e arrependimento. Ele não saiu do pedestal. E foi exatamente neste momento que deixamos de acreditar naquilo que estava sendo contado.

Acredito que este comercial é um reflexo da comunicação feita por Neymar com a sua audiência em todos os meios que utiliza. Não traz a verdade. Ele está sempre olhando de cima para baixo. Ele não se humaniza. Ele cria um distanciamento, se coloca como inatingível.

A principal pergunta é: o que seria mais eficiente para o jogador conseguir chegar de forma verdadeira até seu público?  Uma mega campanha publicitária, como a que estamos vendo através da Gillette, ou Neymar fazendo um vídeo em seu Instagram, contanto a verdadeira história, reconhecendo seus medos, sofrimento, e, principalmente, o que aprendeu com tudo isto?

É possível, sim, gerenciar um momento de crise como este e reverter essa imagem negativa. Mas, o que estamos vendo, por ações pensadas e executadas de forma equivocada, é que ao invés de dissipar a crise, ela está aumentando cada vez mais.  Ao meu ver, sem verdade não há salvação. Uma coisa é certa, a campanha foi positiva para a marca Gillette e não para a marca Neymar.

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Media training para atletas: 4 indícios de que você precisa fazer!

Além de muito treinamento, talento pessoal e determinação, o sucesso de um atleta também passa pelo media training, ou seja, o profissional precisa saber se comportar bem nas entrevistas coletivas ou no relacionamento diário com a imprensa.

Entretanto, vários atletas acabam derrapando neste quesito e, muitas vezes, prejudicam a própria imagem, além de afastarem potenciais patrocinadores. Por meio das orientações de um media training, é possível melhorar o desempenho junto à imprensa.

Neste post, vamos mostrar quatro indícios de que um atleta precisa fazer um treinamento de mídia para obter bons resultados na comunicação com a imprensa e, consequentemente, com seus admiradores ou adversários.

1. Achar que falar com a imprensa é perda de tempo

Seja por vergonha ou medo de uma exposição negativa, muitos atletas evitam falar com a imprensa. Mas isto não é um bom comportamento — afinal, quanto maior for o sucesso em sua modalidade, mais pessoas estarão interessadas em ouvir o ídolo.

O importante é saber o momento certo de dar as declarações, além de ter uma boa orientação por parte da assessoria para não se envolver em assuntos polêmicos. Como as falas refletem a imagem dos clubes, é preciso investir nos pronunciamentos dos líderes para que a credibilidade não seja afetada.

2. Querer influenciar na matéria

Um dos grandes erros de quem não tem um treinamento de mídia é a incorreta maneira de se comportar com os jornalistas. Pedir para ler a matéria antes de ser publicada, oferecer vantagens ou até mesmo dinheiro para ter o nome divulgado ou pegar o microfone do repórter na hora de responder as perguntas são falhas inadmissíveis.

O despreparo pode até mesmo render reportagens contrárias ao atleta, com um saldo extremamente negativo perante a sua imagem junto ao público.

3. Ignorar a imprensa em um momento de crise

Quando determinado assunto polêmico atinge um clube, envolvendo um ou mais atletas, é preciso esclarecer o fato seja por meio de uma coletiva de imprensa ou por meio de uma nota oficial. Se não houver um acompanhamento de um profissional de media training, o efeito pode ser ainda mais drástico.

Deixar de falar com a imprensa pode se transformar em um tiro no pé. É preciso orientar bem o atleta para que não fuja do assunto, esclarecendo todos os pontos e também sabendo ter jogo de cintura para não cair em ciladas, como opinar sobre fatos que não estejam em pauta.

4. Falar sobre o que não domina

Se um atleta entrar em uma coletiva de imprensa sem dominar o assunto que estará em pauta, na maior parte das perguntas, o efeito pode ser negativo tanto para a imagem do profissional quanto do clube que representa.

É preciso escolher bem quem vai falar e preparar a pessoa antes da coletiva. Além disso, quem tem a cabeça quente e fala sem pensar em muitos momentos necessita de um devido treinamento para não causar polêmicas diante dos jornalistas. Ou se envolver em escândalos, como aconteceu com o MC Biel!

O temperamento dos atletas é um bom indicador na hora de definir quem vai falar — depois de uma vitória ou, principalmente, de uma derrota.

Caso Riascos

Recentemente, o atacante colombiano Riascos demonstrou, após uma derrota do Cruzeiro por 2 a 0 contra o Fluminense, o que não se deve fazer. Possivelmente sem um devido treinamento de mídia, o jogador deu declarações polêmicas criticando a diretoria do clube, o que acabou influenciando em seu afastamento do time, fora outras punições.

Por isso, é importante saber o que se fala, pois palavras mal colocadas podem acabar com uma promissora carreira de atleta, independentemente do esporte ou da fama conquistada.

Uma das soluções viáveis para evitar este tipo de problema é buscar empresas que possam contribuir no desenvolvimento das carreiras e gestão de imagem, com várias estratégias voltadas ao crescimento dos esportistas.

E se você acha que o investimento deve acontecer apenas nos ambientes com a presença da imprensa está muito enganado. Veja em outro artigo que a imagem na web tem suma importância na valorização da imagem pessoal dos profissionais.